domingo, 27 de maio de 2012

Em Mauá, tucanos vão usar imbróglio no PT como artilharia


Com a instabilidade no PT de Mauá, o presidente municipal do PSDB, Marcio Canuto (foto), vê vantagem às outras pré-candidaturas. O imbróglio começou quando o deputado estadual Donisete Braga (PT) comunicou a Oswaldo Dias – que concorreria à reeleição -, de que se lançaria pré-candidato ao Executivo, na tentativa de dar renovação à chapa.
 
O anúncio foi feito dois dias antes de a Justiça decidir pela inelegibilidade do prefeito, por improbidade administrativa e, para alguns, foi vista como uma rasteira no chefe do Executivo. “Sabemos que o PT não ganhará essa eleição nem com o ex-presidente Lula vindo todos os dias aqui”, ironizou o tucano.
“O mais grave é a maneira com que o PT está tirando o Oswaldo das eleições. Um golpe que vai refletir, certamente, nos vários grupos que há dentro do PT de Mauá. A ganância pelo poder vai matá-los nestas eleições”, disparou, demonstrando que o caso será usado como artilharia. “Tenha certeza que iremos saber usar bem tudo isso que está acontecendo no PT e vamos trazer muita gente de lá”, concluiu.

Ato sela chapa Donisete/Paulo Eugenio

Por Mark Ribeiro  do Diário do Grande ABC

 Aproximadamente 400 militantes petistas de Mauá compareceram ontem à noite a evento organizado pelo deputado estadual Donisete Braga (foto) e pelo vice-prefeito e secretário de Saúde, Paulo Eugenio Pereira Júnior, para manifestar o desejo de que a chapa do PT para a eleição majoritária seja formada pela dupla, tendo o parlamentar na cabeça. O ato ocorreu um dia depois de o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, propor, como forma de reconstrução da unidade no partido, que o candidato ao Executivo mauaense fosse Donisete, mas com o ex-secretário de Obras Hélcio Silva como vice.

O deputado e Paulo Eugenio deixaram claro que não aceitarão a intervenção. Tanto que cobrarão da executiva municipal a organização de encontro de delegados para o dia 3. Esta foi a maneira encontrada para que o referendo caiba exclusivamente aos petistas de Mauá. A dupla confia no apoio de 300 dos 480 delegados para homologar a chapa.

Sem o encontro, será iminente a interferência de Marinho e da executiva estadual do PT para agraciar o prefeito, Oswaldo Dias e, ao menos, alçar Hélcio à vice. Ontem, apesar da pressão, o chefe do Executivo (não convidado ao ato) manteve a defesa para que seu ex-secretário seja o candidato a prefeito. "Continua com o meu apoio", ratificou. A tentativa de Donisete e Paulo Eugenio em forçar a reunião de delegados pode esbarrar no presidente do PT de Mauá, Leandro Dias, filho de Oswaldo.

O evento de ontem à noite serviu para evidenciar a maioria confortável que o deputado e o vice-prefeito ostentam no PT mauaense. Na terça-feira, um dia após ficar inelegível e dois após o Diário publicar a manobra da dupla contra a tentativa de reeleição de Oswaldo, o prefeito reuniu 200 pessoas (a metade de ontem) para declarar que o candidato do governo não é Donisete. Ambos eventos foram realizados no mesmo bufê.

Nos discursos, Donisete e Paulo Eugenio pisaram em ovos para não comprometer ainda mais a situação do partido para a eleição. Defenderam, além de amplo diálogo para conquistar o consenso, que Oswaldo conduza o processo. "Não é ato contra o Oswaldo Dias, que será o protagonista da vitória do PT", disse o deputado, para ser aplaudido pelos companheiros. "Posso assegurar que não existe qualquer processo dissimulado dentro deste movimento. Nossa candidatura será de defesa e de proteção do governo Oswaldo Dias", completou.

Paulo Eugenio pediu que Hélcio retire a pré-candidatura. "Em 2004 o Zé Luiz (Cassimiro) retirou a inscrição como vice em favor do Hélcio. Espero que ele repita isso."


Indefinição no PT se estende a partidos da base aliada

Preocupados com os desdobramentos no PT, partidos que compõem a base aliada ao governo Oswaldo Dias se mostram indefinidos sobre quais rumos tomar para a eleição. O único que sinaliza permanecer com a sigla que comanda Mauá é o PSB.

"O que está mais claro é a manutenção do nosso compromisso com o PT. Independentemente de nomes, a legenda e o projeto são muito fortes", discorre o presidente municipal do PSB e secretário de Segurança Pública, Carlos Tomaz.

O declínio de Oswaldo abriu espaço para que o PR lance Diniz Lopes a prefeito. As demais siglas governistas aguardam a definição sobre a chapa petista. PDT, PSDC, PRB, PPL, PCdoB e PP estão nesta condição. "Estamos solteiros, no observatório", admite o vereador Ivan Gomes, o Batoré (PP).

No ato de ontem, Paulo Eugenio externou à militância petista que Donisete "tem consciência de que o PT precisa de aliados". "Mas não precisamos andar de mão dada com todo mundo. Não precisamos de aliado de qualquer jeito, porque nosso maior aliado é a militância do PT unida e forte", declarou o vice-prefeito.

Oswaldo já havia evidenciado a preocupação com debandada na terça-feira. "Tem processo assumido com partidos que estão nas alianças que estão meio descontentes com isso (racha do PT). Teremos de apaziguar", comentou.

Donisete prevê "processo alvissareiro para a cidade" ao confiar na unidade petista. "A imprensa vai registrar foto com Márcio Chaves (ex-vice-prefeito), Hélcio, Donisete, Paulo Eugenio, Wagner Rubinelli (ex-deputado federal) e Oswaldo, todos juntos." MR

Marinho entra em campo para tentar salvar lavoura em Mauá

Por Daniel Lima do Repórter Diário

Foto: Valmir Franzoi
Como era de se esperar para quem quer ser governador do Estado e precisa dar provas de que sabe cuidar da lavoura regional do PT, o prefeito Luiz Marinho (foto), de São Bernardo, saiu a campo para minimizar os prejuízos provocados pela divisão petista em Mauá. Como se sabe, o prefeito Oswaldo Dias foi apeado da perspectiva de concorrer à reeleição por um grupo dissidente antes mesmo de se tornar judicialmente inelegível. Uma burrada e tanto que demonstra a fragilidade do monitoramento petista em âmbito regional. Parece que, até então, somente a arrecadação de recursos eleitorais constava do painel de controle que tem o mapa da Província do Grande ABC na tela.

A remediação proposta mostra que Luiz Marinho não perdeu o apetite e a acuidade à conciliação dos tempos de maturidade de sindicalista. Isso é muito bom para o Partido dos Trabalhadores. Seria perfeito se não coubesse contraponto: mais que agir com serenidade e inteligência durante um processo de ruptura, o grande líder se consagra mesmo quando é capaz de preparar-se para evitar complicações. Em outros termos, mais que ações reparativas brilhantes, Luiz Marinho precisa provar também que sabe agir preventivamente. No caso de Mauá, não soube.


Destacado informalmente pelo ex-presidente Lula da Silva coordenador-geral do PT na Província do
Grande ABC, Luiz Marinho não pode limitar artilharia às demandas de financiamento das campanhas, entregues ao presidente do São Bernardo Futebol Clube, Luiz Fernando Teixeira Ferreira. Regionalizar a arrecadação eleitoral é um método que provoca escaramuças partidárias, mas tem a vantagem de proporcionar economia de escala. Não me perguntem o que significa economia de escala porque esse é um assunto para outro artigo.

Tomara que Marinho, também no quesito de aportes de recursos financeiros, fique atento a possíveis ações heterodoxas (ou as ações heterodoxas se tornaram ortodoxas no cenário político que ganha visibilidade nas manchetes de jornais?) para não ter o prestígio chamuscado quando a campanha necessariamente terá de ultrapassar o mercado regional, ganhando dimensão muito maior.


Contragolpe de Dias


O contragolpe à problemática armada em Mauá pelo triunvirato formado pelo deputado estadual Donisete Braga, o vice-prefeito Paulo Eugênio Pereira Júnior e o presidente da Câmara, Rogério Santana, foi disparado pelo prefeito cassado duas vezes -- pelos petistas e pelo tribunal paulista. Oswaldo Dias melou o jogo que se desenhava favorável a Donisete e a Paulo Eugênio ao escalar para o embate partidário que definirá a chapa petista às eleições municipais o então secretário de Obras, Hélcio Silva (2ª foto).

Se a situação já era grave, porque as fissuras no PT em Mauá não poderiam ser subestimadas, a emenda do lançamento do candidato de Oswaldo Dias tornou a perspectiva ainda mais complexa. Agora, a solução providencial de Luiz Marinho está na composição Donisete-Hélcio. Um remendo bastante interessante, convenhamos. Pena que, pelo menos por enquanto, apenas reduzirá o grau de perdas petistas. Os oposicionistas em Mauá, principalmente a jovem Vanessa Damo, estão a preparar discursos que pretendem mostrar à população o potencial de risco de entregar mais quatro anos de governo a gente que não se entende mesmo vestindo a mesma camisa.


A dúvida sobre o então distanciamento do prefeito Luiz Marinho das questões partidárias e eleitorais em Mauá (e provavelmente em outros municípios da Província) é se houve negligência, descuido ou empáfia. Quem sabe foram os três quesitos em conexão perversa que influenciaram os acontecimentos? Ou é concebível que, sabendo-se que o PT é uma marca político-partidária indivisível na interpretação dos eleitores da região, com repercussões ao sabor do noticiário, chegue-se a desarranjo tão escandaloso?


Possivelmente depois dessa porta arrombada a coordenação regional do PT na Província do
Grande ABC passe por reformulação completa. Até porque, as fraturas expostas em Mauá denunciam que essa instância de controle macrorregional é uma ficção que só se materializa nas tentativas de centralizar a arrecadação de recursos para financiamento eleitoral.

O predomínio do poderio regional da economia de São Bernardo já seria suficiente para um prefeito petista local arrebanhar os iguais partidários e doutriná-los a planos estratégicos que não permitiriam dissensões. Somando-se a essa realidade o histórico do prefeito Luiz Marinho e a proximidade com Lula da Silva, qualquer tentativa de transferir as divergências à suposta autonomia de Mauá não passaria de bobagem juramentada.


Dib, uma contraponto



Talvez o prefeito Luiz Marinho e o grupo mais próximo de supostos pensadores do PT na Província do Grande ABC tenham muito a aprender com William Dib (3ª foto), ex-prefeito de São Bernardo, hoje deputado federal. Mesmo sem cargo de exponencial importância, como o Executivo de uma cidade que vai arrecadar no ano que vem mais de R$ 4 bilhões, William Dib coordena com mão de ferro e luvas de renda, de acordo com cada situação, os oposicionistas do PT na Província do Grande ABC. Está fazendo o possível para tornar um jogo regional que se desenhava de goleada pró-PT competição mais acirrada, porque reconhece a importância da região, numérica e simbológica, na disputa ao governo do Estado em dois anos.

Talvez o prefeito Luiz Marinho tenha de ser alertado por eventuais inteligências do PT sobre as limitações do viés de industrializador de obras. Caberia uma parada para reparos estratégicos, acrescentando cuidados especiais com o desvendar da direção dos ventos eleitorais nem sempre possível para quem não se dedica a valer à matéria. Luiz Marinho precisa exercitar mais cobranças de pênaltis porque o jogo jogado na política regional lembra esses mata-matas da Libertadores, não os jogos de cartas marcadas dos mata-matas do Campeonato Paulista que, só de vez em quando, permitem alguma surpresa.


(Daniel Lima é editor do site capitalsocial.com.br)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

PT terá dificuldade para explicar troca de chapa em Mauá

Por Vanessa de Oliveira do Diário Regional

O PT de Mauá terá dificuldade para explicar ao eleitor por que o prefeito Oswaldo Dias (PT, em destaque na foto) não será candidato à reeleição, avaliam cientistas políticos ouvidos pelo Diário Regional. A crise no partido teve início na semana passada, quando se tornou pública a articulação do deputado estadual Donisete Braga (PT) para “tomar” o lugar de Dias na chapa governista, complicou ainda mais quando o prefeito anunciou que fora condenado pela Justiça e, por isso, estaria inelegível, e piorou de vez na quarta-feira (23), quando o ex-secretário de Obras, Hélcio Silva, deixou a pasta para se lançar pré-candidato e fazer “sombra” a Braga com o apoio do prefeito.

Há quem trate a articulação de Braga como uma “rasteira” e a exoneração de Hélcio como uma prova de que Dias ainda não está morto politicamente. O deputado federal Vanderlei Siraque (PT) postou em sua página no Facebook que a articulação é uma tentativa de “golpe político”. O post causou polêmica. “Não sou lesma para viver escondido em caramujo. Mostro a cara e a dou para bater, porque não sou camaleão. Não admito injustiça. Por isso sou Oswaldo em Mauá e quero a unidade no PT”, escreveu.

Apesar de as lideranças petistas declararem que o mal-estar é momentâneo e, na hora certa, todos estarão juntos pelo projeto, é quase certo que a crise terá efeitos negativos de longo prazo. “Dependendo da repercussão na mídia, o eleitorado pode sentir que o prefeito (Dias) foi traído. Pode soar como coisa suja, mais para politicagem do que para política”, analisou o cientista político Rui Tavares Maluf.

Outro ponto negativo é o fato de lideranças petistas não terem defendido a continuidade de seu próprio governo. “Quando se está à frente de um projeto é nele que se deve apostar. Supostamente o caminho natural é a reeleição. Uma coisa é o eleitorado querer trocar o prefeito. Outra é o partido fazer isso”, disse Rui.

A cientista política Maria Benevides disse que racha é algo normal dentro dos partidos, mas aos olhos de quem está fora é uma situação complexa. “Militantes, simpatizantes e publico em geral enxergam o racha com perplexidade.”

Maria Benevides também destacou que tentar demover um prefeito da reeleição pode ser mal-interpretado, mesmo sob a justificativa de renovação, adotada por Donisete Braga. “Os chefes de Executivo têm o direito de concorrer à reeleição e é natural que o façam. A decisão (de mudar) pode ser incompreendida, precisa estar ancorada em grande legitimidade e dentro de discussão de grupo”, destacou.

Cena Política: Fortes emoções

Da coluna Cena Política do Diário do Grande ABC

 O prefeito de Mauá, Oswaldo Dias (PT, foto), tem passado por situação delicada. Ele chama de "golpe" a manobra arquitetada pelo deputado estadual Donisete Braga e o vice-prefeito, Paulo Eugenio Pereira Júnior, para tirá-lo da disputa pela reeleição. Mas, diante da turbulência que está longe de ser resolvida, apesar de tentativa de reagrupar o PT local, Oswaldo tem um alento. Fora da política, claro. O petista comemorou a vitória do Corinthians sobre o Vasco, por 1 a 0, na quarta-feira, em jogo válido pelas quartas de final da Taça Libertadores da América. Tá certo que o prefeito previa resultado de 2 a 0, mas ao menos acertou o vencedor do duelo. E na fase que enfrenta, está de bom tamanho. Dizem que o chefe do Executivo queria evitar emoções no futebol porque os ânimos já estão exaltados demais no campo político. Mas não poderia esquecer do tradicional sofrimento corintiano, né prefeito? Agora, o mês de junho promete fortes emoções. No período de 10 a 30, serão realizadas as convenções municipais, em que serão definidas as candidaturas. E nos dias 13 e 20 o Timão enfrenta o Santos pelas semifinais do principal torneio sul-americano de clubes. É melhor o comandante do Paço preparar o coração!

Para PSOL de Mauá, PT muda roupa, mas mantém essência

Por Edison Motta do ABC Repórter


Para o pré-candidato a prefeito pelo PSOL de Mauá, José Silva (foto), a substituição do prefeito Oswaldo Dias (PT) pelo deputado estadual Donisete Braga (PT) na chapa que disputará as eleições deste ano em nada muda. "Eles mudam de roupa, mas permanece a mesma essência de um governo ruim, malvisto pela população", afirma.

O partido vai promover no próximo domingo uma reunião às 10hs no Jardim Maringá com os 25 pré-candidatos a vereador pela legenda para discutir os rumos da próxima campanha eleitoral. Segundo Silva, a escolha do candidato a vice pela legenda transita entre dois nomes. Neusa Silva e o atual presidente do partido na cidade, André Sadanos.

Rejeição
Silva diz que a mudança do cabeça de chapa do PT “é mais um arranjo. A verdade é que o governo do Oswaldo Dias tem mais de 50% de rejeição da população”. O PSOL marcou a data de sua convenção para o dia 17 de junho, na Câmara.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Oswaldo lança Hélcio ao Paço e PT racha

Por Mark Ribeiro do Diário do Grande ABC

Foto: Repórter Diário
O secretário de Obras de Mauá, Hélcio Silva (foto), pediu demissão do cargo e protocolou ontem a sua inscrição como pré-candidato a prefeito de Mauá pelo PT. Ele é o nome defendido pelo governo Oswaldo Dias contra o deputado estadual Donisete Braga, que liderou movimento para derrubar a tentativa de reeleição do prefeito antes mesmo de segunda-feira, quando o chefe do Executivo foi julgado no caso Túnel do Tempo e ficou inelegível.

A costura escancara o racha no PT. Embora não pertença ao grupo interno de Oswaldo, Hélcio permaneceu ao lado do prefeito contra o que o chefe do Executivo chamou de "tentativa de golpe" orquestrada por Donisete, pelo vice-prefeito e secretário de Saúde, Paulo Eugenio Pereira Júnior, e pelo presidente da Câmara, Rogério Santana. No partido, o sentimento de divisão é claro. "É o grupo do golpe contra os que resistem ao golpe", identificou um líder petista.

A situação também expõe contradição à fala de Oswaldo, mentor da articulação pró-Hélcio. Na segunda-feira, tão logo soube da sentença desfavorável no Tribunal de Justiça, o prefeito declarou que ficou "bravo" com Donisete e Paulo Eugenio por apenas cinco minutos. No dia seguinte, reuniu funcionários comissionados do governo para dizer que o deputado não é o candidato da administração.

O prefeito também tem conseguido êxito em conversas com integrantes dos diretórios nacional (do qual faz parte) e estadual do PT para minar Donisete. A avaliação da cúpula é a de que se a manobra do deputado prevalecer, acabará com a tradição democrática do partido de envolver a militância na escolha de seus candidatos. Oswaldo foi aclamado postulante à reeleição em encontro de delegados, no dia 22 de abril, inclusive com falas de apoio de Paulo Eugenio e do parlamentar.

Hélcio Silva, que já foi vereador por quatro mandatos, presidente da Câmara e do PT mauaense, avalia que "qualquer candidato com o apoio do prefeito possui viabilidade eleitoral". Pregando união, não classificou a movimentação de Donisete de golpe. "Foi uma precipitação decorrente de uma má avaliação."

Ele garantiu que, caso seja o pleiteante, defenderá o governo Oswaldo Dias. "Nenhum candidato do PT faz campanha sem o prefeito no palanque." Hélcio será substituído no comando da Secretaria de Obras por José Geraldo Teixeira, então diretor da Pasta.

Porta fechada - Também ontem Donisete Braga foi ao gabinete do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), para pedir a bênção do principal líder petista do Grande ABC à sua empreitada em Mauá, mas não foi atendido pelo chefe do Executivo. Este já seria um reflexo da articulação exitosa de Oswaldo com a cúpula do partido.

"Tinha uma pauta sobre o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), mas lógico que seria inevitável falar de Mauá. Ele (Marinho) estava em série de agendas, acabou demorando, e eu fui para a Assembleia", relatou Donisete, ao afirmar não ter perdido a viagem a São Bernardo. "Fui dar um abraço no vereador Luizinho (que completou 51 anos)."


Processo sofrerá intervenção da nacional

O processo de escolha do candidato do PT a prefeito de Mauá sofrerá intervenção da executiva nacional do partido, o que é admitido por diversas lideranças da sigla, inclusive Oswaldo Dias. Ontem, o prefeito encaminhou carta aos integrantes do diretório local comunicando a sua desistência da reeleição.

Com Oswaldo fora, o PT tenta se organizar para definir métodos para a escolha do candidato a prefeito. Estatutariamente, prévias estão descartadas. Pelo curto período até a abertura da janela de convenções, dia 10, a realização de outro encontro de delegados para decidir o nome está praticamente fora de cogitação.

Assim, o PT de Mauá terá de juntar os cacos para decidir um nome por consenso e levar para a aprovação da executiva nacional. "Vou consultar a nacional para definir o método de escolha e um calendário para o processo. Agora é tudo diferente. Nunca fizemos isso", atesta o presidente do PT mauaense, Leandro Dias, filho de Oswaldo.

Apesar da movimentação de Donisete Braga, o deputado ainda não se inscreveu como pré-candidato, deixando Hélcio Silva isolado nesta condição. Leandro estuda reservar período mínimo para protocolos, que deve ir até quarta-feira. Oswaldo dará todas as cartadas com a nacional e com a executiva estadual para conduzir o processo.

"Não temos tempo. Precisamos de agilidade", ressalta o chefe do Executivo. Sobre o acompanhamento da executiva nacional, considera "intervenção no sentido de orientação". "Temos de costurar o consenso."

Donisete evitou comentar a inscrição de Hélcio. "Recebo com naturalidade. Conversarei primeiro com o prefeito para me pronunciar. Qualquer fala neste instante é precipitada."


Prefeito afasta rumores sobre demissões

Oswaldo Dias afastou ontem os rumores de que iniciaria, com a estratégica exoneração de Hélcio Silva, série de demissões no governo. Durante a noite de ontem, especulou-se que o vice-prefeito Paulo Eugenio seria demitido do comando da Secretaria da Saúde. O prefeito mostrou ponta de irritação com os boatos.

"O Paulo não será demitido. Sou prefeito até 31 de dezembro e até lá os atos administrativos dizem respeito somente a mim", esbravejou. "Não está colocada a demissão de ninguém, exceto a do Hélcio, pedida por ele."

Nos bastidores, porém, comentou-se que a demissão de Paulo Eugenio estava em pauta, e que o vice só escapou da degola após reunião entre Oswaldo, Leandro Dias, Hélcio, o vereador Marcelo Oliveira e o ex-secretário de Governo José Luiz Cassimiro. No encontro, ficou decidido que a exoneração seria um desgaste desnecessário ao prefeito, já que, segundo a legislação eleitoral, Paulo Eugenio terá de deixar a Pasta até o dia 6 se quiser colocar em prática o plano de ser vice em chapa encabeçada por Donisete Braga.

Além de Paulo Eugenio, a frente para derrubar a reeleição de Oswaldo possui outros três secretários no governo. Edílson de Paula Oliveira (Desenvolvimento Econômico e Trabalho e Renda) e José Afonso Pereira (Meio Ambiente) são ligados a Donisete, enquanto que Eliana Henrique da Silva (Cultura, Esporte e Lazer) é mulher de Rogério Santana.

Fora os integrantes do primeiro escalão, cerca de 150 funcionários comissionados da Prefeitura são cargos de confiança de Paulo Eugenio, Donisete ou Rogério.

Hélcio lança pré-candidatura e evidencia divisão no PT de Mauá

Por Airton Resende e Tiago Oliveira do Repórter Diário

O prefeito de Mauá, Oswaldo Dias (PT), deu nesta quarta-feira (23/05) uma demonstração de que a disputa interna do partido tende a se acirrar nas próximas semanas. O grupo ligado a Oswaldo lançou o nome do ex-secretário de Obras, Hélcio Silva (foto), como pré-candidato a prefeito.

A ação escancara o racha no PT de Mauá e revela que Dias vai procurar responder à altura as articulações comandadas pelo deputado estadual Donisete Braga (PT). O parlamentar chegou a comunicar ao prefeito de que seria o candidato petista, e avisou que ele estava fora do páreo para a reeleição, apenas dois dias antes de a Justiça decidir pela impugnação do Chefe do Executivo.

Hélcio Silva protocolou sua pré-candidatura na tarde desta quarta, no diretório municipal do PT. Na carta endereçada à Comissão Executiva do PT de Mauá, ele explicou os motivos que o levaram a tomar a decisão.

“Depois da decisão de Oswaldo Dias em não disputar a eleição, o PT ficou sem candidato. Tem que haver um processo de novas inscrições e definições e nesse sentido apresentei minha candidatura para ser avaliada pela militância”, afirma Hélcio Silva, em entrevista ao RD.

Hélcio pediu exoneração do comando da Secretaria de Obras nesta quarta-feira. A desincompatibilização do cargo ocorre dentro do previsto na legislação eleitoral. Quem pretende se candidatar a prefeito ou vice-prefeito, pode deixar o cargo até quatro meses antes da eleição – a regra para quem vai disputar eleição para vereador é de seis meses de prazo.

O pré-candidato a prefeito de Mauá garantiu que tem uma boa relação com o adversário Donisete Braga. “Eu sempre converso com o Donisete. Fomos candidatos juntos na eleição passada, fizemos uma dobrada. Temos um ótimo relacionamento.”

A Executiva do PT de Mauá deve se reunir ainda nesta semana para definir a data-limite para inscrição de interessados em postular a vaga de pré-candidato. Reuniões posteriores vão definir de que forma será feita a escolha entre os dois postulantes.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não acredita que a disputa interna do PT resulte na divisão do partido em Mauá. “Agora é um processo que deve ser tocado pelo diretório municipal. Já houve prévias em Mauá e o partido se uniu depois, até ganhou a eleição”, avalia.

Prefeito diz que luta continua – O prefeito Oswaldo Dias entregou ao diretório municipal do PT uma carta em que formaliza a intenção de não concorrer à reeleição.

Dias afirma que tomou a decisão “com muita tristeza” e que sai do processo de cabeça erguida.
“Estou inelegível, não porque sou acusado de desvio de recurso, de falcatruas, mas simplesmente por uma exposição da história dos 50 anos de emancipação do município em uma tenda no centro da cidade”, afirma o prefeito, em referência ao processo envolvendo o Túnel do Tempo, que acabou resultando em sua impugnação.

Em um dos trechos da carta, Dias frisa que ainda é o prefeito da cidade. “Ainda tenho mais de 7 meses de governo. Governarei até 31 de dezembro de 2012 com todas as responsabilidades, com visão republicana de continuidade administrativa”, afirma.

Veja a carta em que Hélcio Silva torna oficial a intenção de ser pré-candidato a prefeito:

Oswaldo Dias afirma que a luta continua

Do Repórter Diário

O prefeito de Mauá Oswaldo Dias entregou ao diretório municipal do PT uma carta em que formaliza a intenção de não concorrer à reeleição.

Dias afirma que tomou a decisão “com muita tristeza” e que sai do processo de cabeça erguida. “Estou inelegível, não porque sou acusado de desvio de recurso, de falcatruas, mas simplesmente por uma exposição da história dos 50 anos de emancipação do município em uma tenda no centro da cidade”, afirma o prefeito, em referência ao processo envolvendo o Túnel do Tempo, que acabou resultando em sua impugnação.


Em um dos trechos da carta, Dias frisa que ainda é o prefeito da cidade. “Ainda tenho mais de 7 meses de governo. Governarei até 31 de dezembro de 2012 com todas as responsabilidades, com visão republicana de continuidade administrativa”, afirma. Veja abaixo a íntegra da carta.

Carta ao Partido dos Trabalhadores
Com muita tristeza e consternação, e ao mesmo tempo com muito senso de responsabilidade, estou oficialmente me afastando da pré-candidatura a prefeito, escolhido no dia 22 de abrli de 2012, em encontro dos 480 delegados por unanimidade. Nesta oportunidade, quero agradecer a todos os delegados que tomaram essa decisão e aos mais de 2.600 filiados que escolheram a delegação. Quero ainda, agradecer a todos que direta ou indiretamente contribuíram com essa decisão.
Devido ao processo judicial instaurado em 2004, o chamado “Túnel do Tempo”, houve o julgamento na última segunda-feira e fiquei inelegível; estou recorrendo, mas não quero colocar o partido e todo um conjunto de companheiros na dúvida, se revertemos ou não a situação. Diante disso, entendo que quanto mais rápido, tomarmos essa decisão, mais rápido o partido encontrará a solução. Saio do processo de cabeça erguida, com sentimento de dever cumprido, pois neste quase 12 anos,mudamos a cara de Mauá, tanto física como politicamente, estabelecendo um processo democrático e de cidadania, mudando os processos clientelistas e fisiológicos existentes no município.

Temos que nos orgulharmos disso.
Estou inelegível, não porque sou acusado de desvio de recurso, de falcatruas, mas simplesmente por uma exposição da história dos 50 anos de emancipação do município em uma tenda no centro da cidade. Por ser um ano eleitora, nos foi dado um grande golpe, colocando Mauá em um grande retrocesso – isso sim de um grande prejuízo para a cidade. O mais grave, é que tanto eu como o Márcio Chaves, por uma situação tão pequena e simples, estamos pagando duas vezes pelo mesmo processo – um verdadeiro absurdo. Como sustentava o Márcio em 2004, a punição é desproporcional ao fato ocorrido.
Fui escolhido por unanimidade em um processo amplamente democrático e transparente, que não houve prévia, pois não havia outro pré-candidato inscrito. Espero que os companheiros entendam minha decisão de sair deste processo, espero contribuir no sentido de encontrar uma solução rápida.
Quero aqui reafirmar meu compromisso com o partido, meu compromisso com a cidade, e disposição e empenho com o futuro candidato ou candidata, qualquer que seja, e trabalharmos para continuar a marcha no sentido de reafirma nosso modo petista de governar.
Ainda tenho mais de 7 meses de governo. Governarei até 31 de dezembro de 2012 com todas as responsabilidades, com visão republicana de continuidade administrativa. Não descansarei enquanto não terminar essas duas grandes tarefas: vencer as eleições e passar o mandato no dia 1º de janeiro de 2013.
Tenho muita honra em fazer parte de um partido (Partido dos Trabalhadores), que teve um operário que quebrou todos os tabus e se tornou o mais importante presidente do Brasil, se tornando uma grande liderança e grande autoridade mundial; e tenho a honra de ter agora uma mulher, também grande liderança, no comando do país.
Contribuímos ao longo desses 32 anos com essa transformação. Tenham certeza, não sou mais candidato nessa eleição, mas tenha certo que jamais deixarei a militância. Acredito na militância, acredito na luta, acredito sempre na possibilidade de dias melhores para todos. A luta continua!


Mauá, 23 de maio de 2012.

Saudações petistas,

Oswaldo Dias
Prefeito

Cena Política: O Império Contra-ataca

Da coluna Cena Política do Diário do Grande ABC

Foto: ABCD Maior
Grandes histórias de vida, bons filmes, séries famosas, novelas memoráveis. Todos esses episódios têm em comum a trilha sonora, que fixa na mente de quem vivenciou ou acompanhou esses fatos. Na política não é diferente. O mais novo acontecimento é a briga do PT de Mauá. O deputado estadual Donisete Braga é acusado de tentar dar um golpe no prefeito Oswaldo Dias para que o chefe do Executivo não dispute a reeleição e ele encabece a chapa petista no pleito de outubro. Mas o comandante do Paço também agiu. Ontem, lançou o secretário de Obras, Hélcio Silva (foto), como o candidato apoiado pelo governo. Nos bastidores, brinca-se que a música que soava na Prefeitura era a do filme O Império Contra-ataca (1980), o segundo de seis da saga Star Wars. Mas esse enredo mauaense ainda terá muitos acontecimentos até as convenções, de 10 a 30 de junho, as quais definirão quem será o candidato do PT ao Paço. O próprio Oswaldo Dias ainda pode reverter o processo jurídico que o condenou à inelegibilidade e ressurgir no cenário, mesmo tendo entregue carta renunciando à disputa pelo quarto mandato. Diante de tamanha indefinição, a canção petista pode ser Dúvida, de Cazuza, que em um dos trechos versa: “Somos os reis da incerteza”.